GAECO investiga campanha de Volnei Morastoni. MP pede reprovação das contas

O Ministério Público de Santa Catarina, através do promotor Milani Maurílio Bento, pediu a justiça a reprovação das contas de campanha do prefeito reeleito em Itajaí, Volnei Morastoni. O pedido foi enviado a justiça no início da tarde desta terça-feira, dia 02.

Entre as empresas investigadas por doações não declaradas na campanha, está a Ambiental Limpeza Urbana, concessionária responsável pela coleta de lixo na cidade de Itajaí.

Leia também: MPSC pede a cassação de Volnei Morastoni por crime de Caixa 2

Além da análise técnica das contas da campanha de Volnei, o promotor alertou a justiça sobre uma investigação do Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas – GAECO, iniciada ainda no ano passado para apurar suposta prática de crimes contra a administração pública no âmbito de licitações, associação criminosa, bem como crime eleitoral de Caixa 2.

No decorrer das investigações o MP, através do GAECO, conseguiu autorização judicial para
interceptação telefônica de empresários investigados e além de agentes públicos. O conteúdo das informações angariadas durante a investigação, mostraram que houveram diversas reuniões entre os agentes públicos e empresários, além de conversas extremamente suspeitas envolvendo atos de corrupção.

Em um dos desdobramentos da investigação, houve busca e apreensão que culminaram na descoberta de uma planilha que demonstrava doações de campanha não declaradas pela candidatura de Volnei. As cifras ultrapassam os 4 milhões de reais não declarados.

Alguns nomes da lista, batem com doações declaradas nas contas do candidato. Entre as supostas doações não declaradas, está a da empresa Ambiental, concessionária de coleta de lixo da cidade, que teria doado R$1.000.000,00

A investigação descobriu também que houve um pagamento, feito pelo próprio Volnei, em espécie, a empresa D’Araújo Comunicação, agência que fez a publicidade da campanha de Volnei em 2020.

A D’Araújo também foi a responsável por desenvolver a campanha do ex-candidato a prefeito de Balneário Camboriú, Auri Pavoni.

De acordo com as investigações, Érico Laurentino Sobrinho, Secretário da Fazenda do Município de Itajaí, era o arrecadador da campanha e realizou pelo menos uma reunião com funcionários ou proprietários de cada empresa investigada pelas supostas doações. Em algumas reuniões, como por exemplo a Sepat Multiservice (Grupo Orbenk), que teria doado R$ 1.000.000,00, o próprio Volnei teria participado.

Estão sendo investigadas, por doações não declaradas, as pessoas físicas e jurídicas que compõe a lista apreendida pelo GAECO: Ambiental Limpeza e Saneamento, Sepat Multiservice (Grupo Orbenk), Minister, Inteligência, Fotosensores Tecnologia, A.J. Potter, Mecânica V, Rocha, Júnior, Fábio L,  Raimondi, Nicaltex, Celso Empre, Jailson, Natinho e Osvaldo.

A petição completa pode ser lida no documento abaixo.  O espaço segue aberto para empresas e pessoas envolvidas se manifestaram sobre o assunto.

O que diz a Ambiental

“A Ambiental destaca que sempre pautou sua atuação no respeito irrestrito aos ditames constitucionais e legais. A empresa, inclusive por respeito à legislação que impede doações eleitorais de pessoas jurídicas, não doou qualquer valor para campanhas eleitorais em 2020. A Ambiental desconhece planilhas ou similares, reitera o seu compromisso com a legalidade, e se coloca à disposição das autoridades públicas para oferecer qualquer apoio que seja necessário ao esclarecimento dos fatos.”

 

Petição