Traficante filho de vereador, pego com 719 quilos de cocaína, é condenado a 17 anos de prisão

A Justiça de Balneário Piçarras condenou Ruan Arno Brockveld, de Penha, a uma pena de 17 anos e meio de prisão pelo crime de tráfico de drogas, além de multa de R$ 1 milhão. A decisão saiu na noite de quinta-feira, após o juiz Luiz Fernando Vailatti Júnior avaliar o pedido de condenação do Ministério Público. A sentença deve ser cumprida em regime fechado.

Ruan foi flagrado em 22 de fevereiro na rua Laguna, em Balneário Piçarras, com 719 kg de cocaína e outros 6 kg de crack. A ação foi da PM e da Polícia Federal do Rio de Janeiro, dentro da Operação Redentor, e chamou a atenção na época pelo perfil do rapaz: jovem, classe média e esportista – chegou a ser campeão sul-americano de caratê. Ruan é filho do ex-presidente da Câmara de Vereadores de Penha, Maurício Brockveld (MDB).

Houve ainda flagrante de drogas num apartamento da rua Leopoldo Arcanjo Rocha, em Navegantes, também atribuída a Ruan, que confessou envolvimento com Israel Gonçalves da Silva, amigo de infância flagrado em 2022, no Paraná, com outros 40 kg de cocaína.

O valor estimado da carga de drogas é de R$ 25 milhões.  Ruan alegou que apenas “guardava” a cocaína e o crack, mas o Ministério Público entendeu que ele era responsável pela distribuição e a justiça também.

O juiz Vailatti pontuou que o rapaz não era um traficante de pequeno porte, mas responsável por esconder uma carga histórica de droga apreendida em Piçarras e que seria distribuída em todo o país.

O veículo BMW de Ruan será repassado à União, também por decisão do juiz que reproduziu, na sentença, anotações encontradas com o jovem relativas ao alto volume de pasta base de cocaína movimentado. Como a decisão é de primeira instância, a defesa de Ruan poderá recorrer.

Decepção da família

Na época da prisão, o pai de Ruan, o vereador Maurício, fez um forte discurso na câmara apontando que seu filho não teria seguido os valores repassados pela família. Maurício possui uma postura de defensor da justiça e contrário à criminalidade nas suas atuações, e alegou pensar que seu filho ia bem no ramo empresarial, e que a família acreditava ele estar “no caminho certo”.

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