Foram mais de cinco anos de espera. Tempo suficiente para que a dor deixasse de ser apenas um incômodo e passasse a fazer parte da rotina. Caminhar, sair de casa, passear ou até brincar com os netos se tornaram atividades cada vez mais difíceis para Roseli Tavares de Araújo, de Içara, e Judite Tiscoski, de Criciúma. Como elas, centenas de pessoas aguardam por uma cirurgia capaz de devolver autonomia e qualidade de vida.
Nesta sexta-feira, dia 3, a espera das duas chegou ao fim. Elas estão entre os primeiros pacientes atendidos por uma grande ação de cirurgias ortopédicas de alta complexidade realizada pelo Hospital São José e o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Ao longo dos próximos meses, a iniciativa vai ampliar o acesso às artroplastias de quadril e joelho pelo Sistema Único de Saúde (SUS), beneficiando pacientes que convivem diariamente com dores intensas e limitações físicas.
“Estamos avançando na realização das cirurgias eletivas de alta complexidade por meio de parcerias com hospitais que têm capacidade técnica e estrutura para atender essa demanda. O Hospital São José é um exemplo desse trabalho conjunto, que reduz o tempo de espera e leva mais dignidade às pessoas que aguardavam por essas cirurgias”, aponta o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi.

O projeto faz parte da estratégia da SES para ampliar a oferta de cirurgias eletivas de alta complexidade em Santa Catarina por meio de parcerias com hospitais filantrópicos.
“Meu Deus, eu disse: agora vai.” A reação foi imediata quando chegou a mensagem do Hospital São José chamando para a consulta com o ortopedista. Depois de mais de cinco anos de espera, Roseli Tavares de Araújo, moradora de Içara, agora faz planos para deixar a bengala de lado. “Eu espero largar a bengala. Ela incomoda bastante”, complementa.
A alegria também é compartilhada por Judite Tiscoski, de Criciúma, que aguardava havia quase seis anos pelo procedimento.
“Quando veio a notícia pelo WhatsApp, eu fiquei muito feliz. Agora vou poder viver com menos dor, ter uma vida mais livre, passear, sair e brincar com os netos. A espera foi grande, mas chegou o momento da cirurgia”, afirma.
As histórias de Roseli e Judite se repetem entre muitos pacientes que aguardam por uma artroplastia de quadril ou joelho. Com o desgaste das articulações, tarefas simples passam a exigir esforço, a dor limita a independência e muitos deixam de trabalhar, reduzem o convívio social ou passam a depender da ajuda de familiares para atividades do dia a dia.
Realização das cirurgias traz novas possibilidades
A iniciativa prevê a realização de 360 cirurgias de alta complexidade até dezembro, sendo 180 artroplastias de quadril e 180 de joelho. Neste primeiro fim de semana, 4 e 5, serão realizados 30 procedimentos. O cronograma foi organizado em dois finais de semana por mês: um dedicado às cirurgias de joelho e outro às de quadril. As equipes atuarão de sexta-feira a domingo, com capacidade para realizar até dez cirurgias por dia.
A Levve Ortopedia é responsável pela organização técnica, disponibilizando a equipe médica especializada, estruturando o fluxo cirúrgico e os protocolos assistenciais para garantir segurança e qualidade durante todos os procedimentos.
Um dos médicos participantes, Dr. Mário César Búrigo Filho, explica que o trabalho foi planejado para ampliar o acesso às cirurgias de alta complexidade sem comprometer a qualidade da assistência.
“Nossa expectativa é proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes e contribuir para reduzir a fila de espera da Secretaria de Estado da Saúde. Esse é um grande trabalho em equipe, que reúne profissionais especializados em cirurgias de joelho e quadril para oferecer um atendimento seguro e de excelência”, enaltece.

O diretor executivo do Hospital São José, Juliano Petters, destaca que muitos pacientes aguardavam havia anos pela oportunidade de realizar a cirurgia. “São pacientes que estão há muito tempo na fila e que agora terão acesso a um procedimento capaz de mudar a rotina dessas pessoas. Ficamos muito felizes em poder proporcionar uma melhor qualidade de vida para quem esperou tantos anos por esse momento”, garante.
Até dezembro, centenas de pacientes passarão pelos corredores do Hospital São José em busca de uma cirurgia. Cada um deles carrega uma história diferente, marcada por anos de espera, dor e limitações. Em comum, todos compartilham o desejo de voltar a caminhar sem dor, recuperar a independência e retomar atividades que, para muitos, ficaram para trás durante anos.



