Hospital Ruth Cardoso realizou segunda captação de órgãos deste ano

Nesta sexta-feira (26) o Hospital Municipal Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú, realizou a segunda captação de órgãos de 2018. Foram captados coração, pâncreas, fígado, rins e tecido ocular. O paciente era um jovem de 19 anos que veio a óbito após sofrer um traumatismo crânio encefálico.

Dentre os órgãos, o coração foi doado para um paciente de Brasília e levado para a cidade por uma aeronave da Força Aérea Brasileira. O translado do hospital até o aeroporto de Navegantes levou apenas 11 minutos. Para isso foi montada uma grande operação que contou com o apoio dos Agentes de Trânsito de Balneário Camboriú, 12º Batalhão de Polícia Militar de Balneário Camboriú, 1º Batalhão de Polícia Militar de Itajaí, Coordenadoria de Trânsito de Itajaí (Codetran) e Ferryboat. O tempo máximo para translado do hospital até o aeroporto era de 20 minutos. Já os demais órgãos foram doados para pacientes de Santa Catarina. O rim esquerdo, pâncreas e fígado foram para Blumenau, o rim direito e o tecido ocular para Florianópolis.



O Ruth Cardoso é o hospital catarinense com a menor taxa de negativa familiar para doação de órgãos. No ano passado, o HMRC fez 19 diagnósticos de morte encefálica e apenas três famílias negaram a doação, enquanto as outras 14 disseram sim à captação de órgãos. Também houve um crescimento na captação de órgãos de 2016 para 2017. Em 2016 foram 14 notificações de morte encefálica e 9 doações (60% de autorização). Já em 2017 foram 19 notificações e 14 doações (74% de autorização). O índice de Balneário Camboriú é melhor que a média nacional, onde a negativa familiar para doação de órgãos foi de 43% em 2016.

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“Esses números impressionam, já que o HMRC é um hospital municipal de média complexidade custeado em sua grande maioria pelo município. Mostra a seriedade do trabalho que está sendo desenvolvido por toda a equipe”, falou o prefeito, Fabrício Oliveira. “Não temos grandes tecnologias, mas temos uma UTI adulto que conta com profissionais extremamente competentes e uma equipe da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) empenhada em assistir os familiares dos possíveis doadores”, disse o coordenador médico e responsável técnico da UTI, César Meirelles.

Em 2018, a primeira captação realizada pelo Ruth Cardoso ocorreu no dia 05 de janeiro. Foram doados rins, fígado e córnea.

Sobre o processo de abordagem das famílias:

O HMRC e os hospitais que lidam com a doação de órgãos possuem profissionais que fazem parte da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT). Essa equipe é formada, no Ruth Cardoso, por um médico e quatro enfermeiros. Esses profissionais são responsáveis pela busca ativa de possíveis doadores. O possível doador é aquele paciente que tem uma lesão neurológica grave e está respirando com a ajuda de aparelhos (em ventilação mecânica).

Um dos diferenciais do hospital é o acolhimento dado às famílias durante todo o tratamento do paciente. “Eles participam de toda etapa do tratamento, a equipe sempre conversa com eles sobre o que está sendo feito e sobre o quadro real do paciente e a gravidade, tornamos os horários das visitas mais flexíveis para que os familiares possam estar junto do paciente em diferentes momentos. Então, quando ocorre do paciente vir a óbito, os familiares sabem que foi feito tudo o que podia para salvar a vida dele e que a doação é uma forma de ajudar outras pessoas”, contou o coordenador da enfermagem da UTI, Grey Robson Felippi.

Durante toda a internação, a equipe acompanha as famílias, orientando e respondendo a todos os eventuais questionamentos que surgirem durante o processo. A doação de órgãos só é abordada após a equipe médica confirmar o diagnóstico final de morte encefálica (equipe essa que não tem relação nenhuma com a CIHDOTT. “Geralmente, nessa conferência familiar, estão presentes o médico assistente, um enfermeiro pertencente à equipe da CIHDOTT, o psicólogo e a assistente social”, explicou Grey.

Sobre a doação de órgãos:

Um doador pode doar coração, dois pulmões, dois rins, fígado, tecido ocular, pâncreas, válvulas cardíacas, pele e tecido ósseo. A maioria dos doadores tem entre 50 e 64 anos e, ao contrário do que se pensa, a idade avançada não é uma contraindicação à doação. Grande parte dos órgãos doados ficam em Santa Catarina, mas cerca de 25% são enviados para outros estados, como o Rio Grande do Sul e São Paulo. Em Santa Catarina, o Hospital Santa Isabel é o que faz mais transplantes: até novembro de 2017 o hospital realizou mais de 250 transplantes, grande parte deles de fígado e rins.

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