Isaque de Borba – Dezembro, o mês das histórias em Balneário Camboriú

O DESMORONAMENTO DO EDIFÍCIO LONDRINA BLOCO B

Hoje faz 49 anos do desmoronamento do Edifício Londrina de Balneário Camboriú, bloco B, chamado de “Mirador”. (11 de dezembro de 1967)
Foi uma das maiores tragédias da cidade até hoje. O prédio estava em processo de acabamento e já se preparando para receber seus moradores para temporada. Todo mundo dizia que se fosse uns dias mais pra frente, na temporada, a tragédia seria maior. Claro, evidente.

Eram 16 pessoas dentro do prédio, mais uma senhora que limpava um apartamento para receber seus novos donos.
Com o desmoronamento o prédio transformou-se num monte de entulhos de poucos metros de altura. Foram 26 horas ininterruptas de serviço na remoção dos entulhos, entre trabalhadores da Construtora Embraco, voluntários e funcionários da prefeitura que o prefeito Higino Pio botou à disposição dos socorristas. Entre eles meu amigo Miguel Pedro Serafim que está vivinho da silva e mexe no facebook, que pode dar bons pitafos nessa minha milonga. Inclusive taí nas fotos.

Foi o primeiro dia que eu vi um caminhão do corpo de bombeiros atuando. O som triste e melancólico da sua sirene me ficou entoando nos ouvido por dias. Eu me dormia e siacordava com aquele zumbido zuando nos meus zuvidos por um bucado de tempo. Fiquei com aquela zuada nos uvido a semana toda. (foto)
Dois funcionários, o Nicácio Boaventura e o Lourival Schultz, perceberam o desmoronamento se atiraram do prédio para dentro da lagoa que passa nos fundos da edificação e deu certo: apenas se lambrecaram no lodo do esgoto, já que a nojeira na lagoa vem desde aqueles tempos. Saíram os dois apenas com as pernas meio esfurucadas, because dos estrépis, mas nada que uma boa estopada de salamora não curasse as pustemas esfoladas nas canelas dos “sortudos” .

Meu amigo Valmor Boaventura, vulgo Neném, mais o Luis Strobet – o Estrubéti – foram atirados meio que sem querer para as profundezas da lagoa entulhada. Deram um bulucutum escarpado meio forçado dentro da lagoa. Foi a sorte! Ficaram estrupiados, mas conseguiram se salvar.
Aquela senhora da limpeza se chamava Delfina Vieira, protegeu-se entre uma mesa e a geladeira e conseguiu ser socorrida com vida depois de 7 horas e 15 minutos de espera. Veja que se não tivesse mobília, o destino dela poderia ter sido diferente.

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Onélio Bernardes trabalhava com o filho Antônio Carlos no segundo andar. Socorristas relataram que ele não parava de chamar pelo filho. Que triste!
Foram retirados sem vida: Miguel João Simão, Edgard Wessner, Edgard Epliter, Antônio Carlos do Nascimento, Antônio Cunha, Osmar Manoel da Silveira e Arnoldo Scozz. Duas pessoas faleceram no hospital: Belmira Natal e José Fernandes da Rosa.
Escapuliram com vida o Argino Marques, Eric Strobet, Elzenir da Silveira, Luis Borineli, João Batista Lima, Valmor Boaventura e Nicácio Boaventura.

Contam-se muitas curiosidades sobre esse acidente. Meu amigo Iaécio Luis Correia que era zelador, relatou-me que a esposa foi no mercado, mas como ela demorava muito pra chegar, o jovem casadoiro ficou encucado. Casadinho novo, ficou com a purga atrás das zorelha – diz que ficou com “pensão” – e botou-se atrás. Assim que deu as costas, viu o prédio se escangalhar atrás de si. O danadinho do ciumento, além de feio era baxotinho e impongado, escapoliu por um triz! Benedito ciúme, porca miséria!!!
Meu amigo Oscar Bremmer, tinha uma casa no mesmo rumo do prédio, hoje tem um edifício com seu nome no lugar da casa, na beira da lagoa, na rua 1101. Disse que estava se aprontado com a esposa pra ver um apartamento que pretendia comprar nesse edifíço.

Como a mulher imbrumava muito, o impaciente reclamava o tempo todo da demora da esposa. Vai vendo o que a pressa pode fazer com um cristão!
Para sorte do estovado, a embrumação intuitiva da mulher salvou suas vidas. Quando ela finalmente se aprontou e que o nervosinho pode virar a chave da porta da casa, que se virou para o malacabado do prédio, o pombal começou a despencar na frente de seus esbugalhados olhos. Assustado, arregalou ainda mais os seus dois bagalões pra mulher e muito do agradecido prometia insistentemente nunca mais cramazelar da embromações da mulhé, o apressadinho. Louvado sejam as mulheres e suas embromações nos banheiros. Aprendi levar isso em conta quando saio de casa, vai que seja premonição de mal azogue da danadinha – credo, cruzi!

Não é pra assustar os moradores do Londrina, entre eles, dizem, o Excelentíssimo meritíssimo Sérgio Moro.


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Por
Isaque de Borba Corrêa
Historiador e Escritor
Nasceu no “logar Praia”, zona rural da cidade de Camboriú. É membro da Academia Desterrense de Letras e da Academia de Letras de Balneário Camboriú.
https://www.facebook.com/isaquedeborba.correa

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