Uber se recusa a levar cadeirante alegando medo de “riscar o carro”

A atleta Susana Cristina da Silva, 34 anos, que vai representar o Brasil no Parapan-Americano de handebol em cadeira de rodas, passou por uma situação constrangedora, na manhã de domingo, em Balneário Camboriú. Um motorista do aplicativo Uber se negou a levá-la para o treino “porque a cadeira de rodas poderia riscar o carro”.

Susana e outras atletas treinam até aos domingos pra competição que acontecerá em outubro em São Paulo. Elas tomaram café na padaria Sonho & Café, no bairro das Nações, e, por volta das 9h, chamaram um Uber pra irem até a escola Higino Pio, na rua Madagascar, onde treinam.

As duas colegas foram com um motorista, que colocou as cadeiras de rodas no porta-malas sem problemas. Já Susana chamou outro carro. O motorista de um Onix preto chegou para a corrida. Susana entrou no Uber e já com a cadeira desmontada, ouviu que teria que descer. O motorista alegou “que a cadeira iria arranhar o carro”.

“Me senti extremamente humilhada, nunca havia vivido uma experiência parecida. O motorista foi resistente em aceitar qualquer orientação sobre como colocar a cadeira no carro e, ao perceber que sua maneira de colocar não dava certo, disse para eu sair de dentro do veículo porque a cadeira ia riscar o carro dele”, conta Susana.

Susana ficou tão constrangida que montou a cadeira novamente e saiu do veículo. “Fui acolhida por uma atendente da cafeteria e por outra pessoa, pois entrei em estado de choque. Tremia muito e não parava de chorar. Não acreditava no que eu havia acabado de passar”, narra. A atleta teve que chamar um táxi pra ir ao treino.

Ela vai registrar um boletim de ocorrência e acionar o aplicativo Uber. O DIARINHO fez contato com a assessoria de imprensa da Uber, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

Luta por igualdade

Gévelyn Cássia Almeida, técnica da fundação Municipal de Esportes de Balneário e presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência, confirma que Susana ficou muito abalada. “Quando ela chegou ao treino estava chorando, consternada, bastante abalada”, conta

Gévelyn diz que o conselho irá notificar o aplicativo e também dar suporte judicial para Susana. “A gente luta para inserir a pessoa com deficiência na sociedade. O motorista tem que entender que somos consumidores como qualquer pessoa”, continua Gévelyn.

A técnica ainda cita que o Estatuto da Pessoa com Deficiência assegura, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais da pessoa com deficiência, visando a inclusão social e o exercício da cidadania.

Gévelyn gravou um vídeo no momento do ocorrido

Trajetória de sucesso

Antes de ficar paraplégica, Susana foi campeã recordista Juvenil e Adulto na prova de lançamento de dardo. No paradesporto, foi campeã recordista da mesma prova. No ano passado, começou no handebol e já foi jogadora destaque no campeonato Paranaense e no campeonato Brasileiro. No mês passado, foi vice-campeã no Brasileiro HCR 4 e HCR 7. Agora Susana vai representar o Brasil no Panamericano.

Susana perdeu o movimento das pernas num acidente com um aparelho, durante o treinamento para o Troféu Brasil de Atletismo em 2004. Ela teve as pernas esmagadas.

Não quis levar cão-guia

No dia 15 de julho, um motorista de Uber se recusou a fazer uma corrida com os cegos Jairton Fabeni Domingos, 54, e o amigo Ângelo Matias porque eles estavam acompanhados de seus respectivos cães-guias. A confusão aconteceu em frente da associação dos Deficientes Visuais de Itajaí e Região (Advir).

O motorista chegou a dizer que “meu carro não é canil”, desconhecendo a lei federal que garante aos cegos o direito de circularem em qualquer lugar acompanhados de seus cães-guia. A polícia foi chamada e o motorista assinou um termo circunstanciado e foi liberado. A Uber desligou o motorista.

Por Diarinho

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