Um ano após conclusão do inquérito da Operação Ouvidos Moucos em SC, MPF ainda analisa o caso

A conclusão do inquérito da Operação Ouvidos Moucos da Polícia Federal, que investigou possíveis desvios de verbas dos cursos de ensino a distância da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), completa um ano nesta quinta-feira (25). Na mesma data em 2018, o relatório final com 817 páginas, com todas as acusações e pedindo o indiciamento de 23 pessoas, foi enviado para o Ministério Público Federal em SC.

Desde então é aguardada uma decisão do MPF, que pode pedir o arquivamento do caso, solicitar mais dados à polícia ou denunciar os indiciados à justiça. É esse o caminho de qualquer investigação. Mas até agora isso não aconteceu.

O procurador André Bertuol, responsável pelo caso, não quis dar entrevista para a NSC TV e nem previsão sobre o caso.

Inquérito Ouvidos Moucos — Foto: Reprodução/NSC TV

Inquérito Ouvidos Moucos — Foto: Reprodução/NSC TV

A operação

Em setembro de 2017, a Polícia Federal investigava supostas irregularidades em cursos de ensino a distância da UFSC. Sete pessoas foram presas. Entre os detidos estava Luiz Carlos Cancellier de Olivo, reitor da UFSC na época. A polícia diz que ele tinha ignorado as denúncias e tentado atrapalhar as investigações, feitas pela corregedoria da universidade. Por isso o nome da operação : Ouvidos Moucos.

O reitor e os outros detidos foram soltos no dia seguinte, mas ele ficou proibido de entrar na universidade. Após 18 dias, Cancellier cometeu suicídio ao se jogar do quinto andar de um shopping de Florianópolis.

Velório de Cancellier ocorreu no hall da reitoria da UFSC — Foto: UFSC/Divulgação; Gabriela Machado/NSC TV

Velório de Cancellier ocorreu no hall da reitoria da UFSC — Foto: UFSC/Divulgação; Gabriela Machado/NSC TV

O inquérito da Polícia Federal só foi concluído sete meses depois, em abril de 2018, com o indiciamento de 23 pessoas. Entre as acusações, a polícia diz que um grupo de professores e técnicos montou uma organização criminosa para desviar recursos. Foram indiciados por lavagem de dinheiro e peculato, que é obter vantagem em função do cargo público.

De acordo com as investigações, os recursos captados para projetos de Ensino a Distância (EAD) eram repartidos entre os envolvidos.

A polícia diz que também havia simulação de prestação de serviços gráficos por uma empresa ligada ao grupo, pagamentos por serviços não realizados e de gratificações irregulares.

Quanto ao reitor, ele não teria sido beneficiado pelo suposto esquema. Mas a Polícia Federal diz que ele “articulou-se juntamente com os investigados para parar a ação da corregedoria…” e que fazia “…investigações internas sobre irregularidades na gestão de recursos do EAD”.

A Polícia diz ainda que Cancellier “nomeou e manteve em posição de destaque no âmbito do Ensino à Distância o grupo de professores que manteve a política de desvios e direcionamento nos pagamentos das bolsas do EAD e outras fraudes….” portanto sustentava e respaldava os investigados.

O advogado Hélio Brasil, que representava Luiz Carlos Cancellier de Olivo, contesta as acusações contra o ex-reitor, estranha a demora no andamento do caso e critica a postura da Polícia Federal na Operação Ouvidos Moucos .

“Bastante atrapalhada e espetaculosa, e isso claro feriu muitas pessoas, honras, moral de muita gente, e ao final do relatório, viu-se, verificou-se pelo menos contra o reitor, nosso cliente, que nada havia nada contra ele”, disse Hélio.

A Polícia Federal não quis se manifestar sobre as críticas nem sobre o andamento do caso.

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